Ninguém gosta de imprevistos, seja uma batida de carro, um cano estourado em casa ou qualquer outro evento que cause danos. A primeira reação é, muitas vezes, o estresse. Mas, logo após respirar fundo, seu próximo pensamento deveria ser: “Preciso registrar tudo isso!”.
Nesse momento, o seu telemóvel transforma-se na ferramenta mais poderosa que tem em mãos. Um registro de danos bem feito, com fotos e vídeos claros, não é apenas uma formalidade; é a sua principal defesa e o passaporte para uma resolução de sinistro mais rápida e justa. Este guia vai dar-lhe as dicas de ouro para criar esse registo perfeito.
Por Que Um Bom Registro de Danos é Seu Maior Aliado no Sinistro?
Pode parecer apenas mais uma tarefa na hora da confusão, mas dedicar alguns minutos a um registro de danos detalhado pode poupar-lhe horas de dor de cabeça e até dinheiro. Não subestime o poder de boas imagens.
A seguradora precisa de entender exatamente o que aconteceu e qual a extensão dos danos para processar o seu pedido de indemnização, seguindo as normas e boas práticas do setor, supervisionadas por entidades como a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados). Um registro de danos claro e completo funciona como os olhos da companhia no local do evento.
Fotografias e vídeos de qualidade servem como prova irrefutável do estado do seu bem (carro, casa, etc.) imediatamente após o sinistro. Isto é crucial para evitar discussões sobre a origem ou a dimensão dos estragos.
Investir tempo num bom registro de danos é investir na sua tranquilidade e na agilidade de todo o processo junto da seguradora. É um passo proativo que coloca o controlo nas suas mãos.
Acelerando a Análise (e o Bolso!): Como Boas Imagens Agilizam a Seguradora
Imagine o analista da seguradora a receber dezenas de processos por dia. Um conjunto de fotos escuras, tremidas ou vídeos confusos apenas atrasa a análise do seu caso. Torna-se necessário pedir mais informações, talvez agendar logo uma peritagem que poderia ser evitada ou simplificada.
Por outro lado, um registro de danos claro, com fotos nítidas de vários ângulos e vídeos explicativos, permite ao analista compreender rapidamente a situação. Ele consegue visualizar a extensão dos estragos e verificar a cobertura da apólice com mais eficiência.
Isto traduz-se diretamente em menos tempo de espera para si. Um processo mais rápido significa uma aprovação mais célere e, consequentemente, a libertação da indemnização ou a autorização para os reparos de forma mais ágil. Um bom registro de danos lubrifica as engrenagens da seguradora.
Portanto, caprichar nas fotos e vídeos não é só para “inglês ver”; é uma estratégia inteligente para acelerar o recebimento da sua indemnização. Pense nisso como um investimento de minutos que pode valer dias ou semanas.
O Perito Agradece: Fornecendo a Base para uma Vistoria de Sinistro Eficaz
Em muitos casos, especialmente em danos mais complexos ou de valor elevado, a seguradora enviará um perito para avaliar a situação presencialmente. O seu registro de danos inicial é fundamental para este profissional.
As suas fotos e vídeos funcionam como um ponto de partida, mostrando o estado inicial logo após o evento. Isto ajuda o perito a entender a evolução dos danos, caso haja alguma alteração entre o momento do sinistro e a data da Vistoria de Sinistro: O Que o Perito Avalia e Como se Preparar (Auto e Residencial).
Um bom registro de danos, seguindo práticas recomendadas por especialistas em sinistros, pode inclusive orientar o trabalho do perito, chamando a atenção para pontos específicos que poderiam passar despercebidos. Ele complementa a análise técnica, fornecendo um contexto visual valioso.
Ao facilitar o trabalho do perito com um registro de danos completo, você contribui para uma avaliação mais precisa e justa, o que, novamente, tende a agilizar a conclusão do seu processo de sinistro.
Menos Dor de Cabeça: Como um Registro Sólido Previne Disputas Futuras
Disputas com seguradoras podem acontecer. Divergências sobre a extensão dos danos, a causa do sinistro ou mesmo sobre itens danificados são fontes comuns de atrito. É aqui que o seu registro de danos se torna um escudo protetor.
Imagens claras e vídeos detalhados servem como prova concreta contra contestações infundadas. Se a seguradora questionar se um determinado dano já existia antes do sinistro, as suas fotos datadas podem provar o contrário. Em caso de impasse, órgãos de defesa do consumidor como a SENACON (Secretaria Nacional do Consumidor) podem ser consultados, e ter provas sólidas é fundamental.
Se houver dúvidas sobre a dimensão de uma área afetada por água, por exemplo, um vídeo panorâmico pode esclarecer a situação de forma inequívoca. O registro de danos transforma opiniões subjetivas em factos visuais.
Ter esta documentação robusta desde o início reduz significativamente a probabilidade de disputas prolongadas e desgastantes. É a sua garantia de que a realidade dos factos está bem documentada.
Prova Essencial: O Papel do Registro Caso o Reparo Pelo Seguro Não Fique Bom
Infelizmente, por vezes, o reparo autorizado pela seguradora pode não atender às expectativas de qualidade. O que fazer numa situação dessas? O seu registro de danos original volta a ser crucial.
As fotos e vídeos que tirou logo após o sinistro servem como um “antes”. Eles mostram claramente a condição inicial e a natureza dos danos que precisavam ser reparados. Esta documentação é essencial para comparar com o resultado final do reparo.
Se precisar de reclamar sobre a qualidade do serviço, como detalhado em Reparo Pelo Seguro Não Ficou Bom? Saiba Como Reclamar e Exigir Qualidade., o seu registro de danos será a prova fundamental para argumentar que o reparo foi incompleto, mal executado ou não restaurou o bem à condição anterior (considerando o dano coberto).
Sem um bom registro de danos inicial, fica muito mais difícil comprovar que o resultado do reparo não foi satisfatório em relação ao problema original. É a sua segurança para exigir a qualidade devida.
Fotografando a Evidência: Técnicas Essenciais Para Fotos Irrefutáveis
Tirar fotos parece simples, mas para um registro de danos eficaz, alguns cuidados técnicos e de composição fazem toda a diferença. O objetivo é criar imagens claras, informativas e que não deixem margem para dúvidas.
Não precisa de ser um fotógrafo profissional nem de ter equipamento caro. O telemóvel que tem no bolso é, na maioria das vezes, suficiente. O segredo está em saber como usá-lo estrategicamente neste contexto.
Pense em cada foto como uma peça de um quebra-cabeças que contará a história completa do dano. Desde a visão geral até aos mínimos detalhes, cada imagem tem o seu papel.
Vamos apresentar algumas técnicas essenciais para garantir que as suas fotos sejam verdadeiras aliadas no processo de sinistro, transformando simples cliques em evidências valiosas para o seu registro de danos.
Antes do Clique: Preparando o Cenário (Luz e Limpeza na Medida Certa)
A iluminação é, talvez, o fator mais crítico para uma boa foto. Sempre que possível, utilize luz natural. Abra cortinas, portas ou, se for seguro, faça o registo durante o dia. Evite usar o flash direto do telemóvel, pois pode criar reflexos indesejados ou sombras muito duras.
Se a luz natural for insuficiente (garagem, noite), tente usar uma fonte de luz auxiliar (lanterna, outra luz ambiente) posicionada de forma a iluminar o dano uniformemente, sem criar brilhos excessivos. Fotos escuras escondem detalhes cruciais do registro de danos.
Quanto à limpeza, o ideal é registrar o dano como ele está imediatamente após o evento. Contudo, se houver muita sujidade não relacionada com o dano e que esteja a impedir a visualização clara do estrago (ex: lama seca num arranhão de carro), pode fazer uma limpeza muito suave e localizada apenas para revelar o dano em si. Nunca altere a cena do sinistro.
A preparação do ambiente, focando na luz e na clareza do objeto danificado, é o primeiro passo para um registro de danos fotográfico de qualidade.
Ângulos que Revelam: O Jogo de Câmera Entre Visão Geral e Close-up Detalhado
Um erro comum no registro de danos é tirar apenas fotos muito de perto ou apenas fotos muito de longe. O ideal é combinar diferentes ângulos e distâncias para contar a história completa.
- Visão Geral: Comece com fotos que mostrem o objeto danificado no seu contexto. Se for um carro, mostre o carro inteiro e a área ao redor. Se for um dano em casa, mostre o cómodo inteiro onde ocorreu. Isto ajuda a localizar o dano.
- Médio Alcance: Aproxime-se um pouco para mostrar a área geral do dano no objeto. Por exemplo, a porta inteira do carro onde está o arranhão, ou a parede inteira onde está a infiltração.
- Close-up (Detalhe): Chegue bem perto para mostrar a natureza exata do dano. Fotografe o arranhão em si, a rachadura, a mancha de água, o ponto de impacto. É aqui que os detalhes ficam evidentes.
Tire fotos de vários ângulos (frente, lado, de cima, se possível) para cada nível de aproximação. Esta variedade de perspetivas é vital para um registro de danos compreensível e completo.
Foco no Problema: Nitidez e Resolução Fazem a Diferença
De nada adianta ter o ângulo perfeito se a foto estiver desfocada ou tremida. A nitidez é fundamental para que os detalhes do dano sejam visíveis no seu registro de danos.
Segure o telemóvel com firmeza, usando as duas mãos se necessário. Toque no ecrã, na área do dano, para indicar ao telemóvel onde ele deve focar antes de tirar a foto. Espere o foco confirmar (geralmente um quadrado ou círculo verde) e só então dispare.
Verifique a resolução da sua câmara. Use uma configuração de alta qualidade (sem exagerar para não gerar arquivos gigantescos e difíceis de enviar). Fotos com baixa resolução perdem detalhes importantes quando ampliadas pelo analista da seguradora.
Após tirar as fotos, confira imediatamente no ecrã do telemóvel se ficaram nítidas. Se alguma estiver tremida ou desfocada, apague e tire novamente. A qualidade do foco é um pilar do bom registro de danos.
Dando Escala à Situação: Incluindo Referências de Tamanho e Localização
Às vezes, uma foto isolada de um dano não transmite a sua real dimensão. Um arranhão pode parecer enorme ou minúsculo dependendo do close-up. Incluir um objeto de referência conhecido na foto ajuda a dar escala.
Pode colocar uma moeda, uma régua, uma caneta ou até mesmo a sua mão (de forma limpa) ao lado do dano (sem o tapar!) para dar uma noção de tamanho. Isto é especialmente útil para riscos, furos, rachaduras ou manchas.
Para localização, certifique-se de que as fotos de visão geral e médio alcance mostram claramente onde o dano se encontra no objeto maior (ex: “o arranhão fica na porta traseira direita, abaixo da maçaneta”). Contextualizar é parte essencial do registro de danos.
Estas referências visuais de tamanho e localização ajudam a eliminar ambiguidades e tornam o seu registro de danos muito mais informativo e fácil de interpretar pela seguradora ou pelo perito.
O Álbum Ideal: Quantas Fotos São Realmente Necessárias?
Não existe um número mágico, mas a regra geral para um bom registro de danos é: é melhor ter fotos a mais do que a menos. Contudo, evite a redundância excessiva.
Procure cobrir todos os ângulos e níveis de detalhe mencionados (geral, médio, close-up). Para um dano simples, 5 a 10 fotos bem tiradas podem ser suficientes. Para situações mais complexas (múltiplos danos, danos extensos), pode precisar de 20, 30 ou mais fotos.
- Lista: Checklist Rápido de Fotos Essenciais
- Fotos gerais do objeto/localização (contexto).
- Fotos de médio alcance mostrando a área danificada.
- Close-ups detalhados de cada dano individual.
- Fotos de ângulos variados (frente, lados, cima, baixo se relevante).
- Fotos com referência de escala (moeda, régua) para danos específicos.
- Se aplicável (ex: acidente de carro), fotos de placas de matrícula, documentos trocados, cena geral do acidente.
O importante é que o conjunto de fotos do seu registro de danos conte uma história visual completa e clara do ocorrido, sem deixar margem para dúvidas sobre a natureza e extensão dos estragos.
O Poder do Vídeo: Capturando Danos em Movimento (e com Narração!)
As fotografias são estáticas. O vídeo, por sua vez, adiciona movimento, continuidade e a possibilidade de narração, tornando-se um complemento extremamente valioso para o seu registro de danos.
Um vídeo bem feito pode demonstrar a extensão de um dano de forma mais dinâmica do que várias fotos. Pode mostrar como uma peça está solta, a água a pingar ou percorrer toda a área afetada de forma contínua.
A narração permite-lhe explicar o que está a mostrar, adicionar contexto, indicar datas e horas, ou destacar detalhes que poderiam ser perdidos apenas com imagens. É uma ferramenta poderosa para guiar a interpretação do seu registro de danos.
Vamos verificar como usar o vídeo de forma eficaz, transformando uma simples gravação numa peça robusta de evidência para o seu processo de sinistro.
Câmera, Luz, Ação (Com Calma!): Planejando Seu Vídeo de Registro
Antes de começar a gravar, pense rapidamente no que quer mostrar e dizer. Um pequeno “roteiro mental” ajuda a manter o vídeo focado e objetivo, essencial para um bom registro de danos.
- Comece com uma visão geral, apresentando o local ou objeto.
- Aproxime-se lentamente das áreas danificadas.
- Mantenha o foco em cada dano por alguns segundos.
- Se for narrar, fale de forma clara e pausada.
- Termine com outra visão geral, se fizer sentido.
Verifique a iluminação, tal como nas fotos. Luz natural é preferível. Evite movimentos bruscos da câmara. A ideia é fazer um “tour” calmo e informativo pelos danos.
Um vídeo bem planeado, mesmo que curto, é muito mais útil do que uma gravação longa, tremida e confusa. O planeamento é o segredo de um vídeo eficaz no registro de danos.
Mãos Firmes ou Suporte: A Luta Contra a Imagem Tremida
Vídeos tremidos são difíceis de assistir e podem obscurecer detalhes importantes. A estabilidade da imagem é fundamental para a qualidade do seu registro de danos em vídeo.
Segure o telemóvel com as duas mãos, mantendo os cotovelos apoiados junto ao corpo para maior firmeza. Movimente-se lentamente e de forma fluida ao percorrer a área danificada.
Se tiver um pequeno tripé para telemóvel ou um gimbal (estabilizador), use-o! Mesmo apoiar o telemóvel numa superfície estável enquanto filma um ponto específico pode ajudar.
Evite fazer zoom digital excessivo durante a gravação, pois isso geralmente degrada a qualidade da imagem e aumenta a trepidação. É preferível aproximar-se fisicamente do objeto. Um vídeo estável é sinónimo de um registro de danos profissional.
Sua Voz como Guia: Narrando os Fatos de Forma Clara e Concisa
A narração é um dos grandes trunfos do vídeo no registro de danos. Use a sua voz para complementar as imagens, seguindo uma abordagem factual valorizada por peritos.
- Identifique-se: Comece dizendo o seu nome, a data e hora aproximada da gravação.
- Descreva o que Mostra: “Aqui vemos a porta dianteira direita amassada…”, “Esta é a mancha de água no teto da sala…”.
- Dê Contexto: “…resultado da colisão ocorrida há uma hora.”, “…provavelmente vinda do andar de cima.”.
- Aponte Detalhes: “Notem a profundidade deste risco…”, “A água ainda está a pingar aqui neste canto.”.
- Seja Objetivo: Evite opiniões, emoções exageradas ou acusações. Foque nos factos observáveis.
Fale de forma clara, num volume audível, mas sem gritar. Uma boa narração transforma o vídeo de uma simples gravação numa peça explicativa valiosa para o seu registro de danos.
Além da Superfície: Usando o Vídeo para Mostrar Profundidade e Extensão
O vídeo é excelente para mostrar a tridimensionalidade e a continuidade dos danos, algo que as fotos podem ter dificuldade em capturar isoladamente.
Use o movimento da câmara para mostrar a profundidade de um amassado, percorrendo-o com a lente. Mostre como uma peça está solta, movendo-a ligeiramente (se seguro e relevante).
Faça um travelling lento (movimento lateral ou de aproximação/afastamento) para mostrar toda a extensão de uma área afetada por água ou fogo, conectando os diferentes pontos danificados numa única sequência visual.
Esta capacidade de mostrar a relação espacial e a dinâmica dos danos torna o vídeo um complemento poderoso às fotos no seu registro de danos, oferecendo uma compreensão mais completa da situação.
Clipe Rápido ou Tour Completo? Adequando a Duração do Vídeo
A duração ideal do vídeo para o registro de danos depende da complexidade da situação. Não precisa de fazer um documentário!
Para danos simples e localizados, um vídeo curto de 30 segundos a 1 minuto pode ser suficiente para mostrar o essencial e adicionar uma narração breve.
Para situações mais complexas, com múltiplos pontos de dano ou áreas extensas, pode ser necessário um vídeo de 2 a 5 minutos, fazendo um “tour” mais completo.
É preferível fazer vários vídeos curtos e focados (ex: um para cada cómodo afetado, um para cada lado do carro) do que um único vídeo muito longo e disperso. Mantenha a objetividade e foque na clareza da informação para um registro de danos eficaz.
Do Arranhão à Inundação: Dicas Cruciais e Erros Comuns a Evitar
Embora os princípios gerais de um bom registro de danos sejam universais, diferentes tipos de sinistro podem exigir atenções específicas. Adaptar a sua abordagem garante que captura os detalhes mais relevantes para cada situação.
Igualmente importante é conhecer os erros mais comuns que as pessoas cometem ao documentar danos. Evitar estas armadilhas garante que o seu registro de danos seja robusto e não possa ser facilmente invalidado ou questionado.
Vamos apresentar algumas dicas específicas para os tipos de danos mais frequentes (veículos e residenciais) e destacar os erros que deve evitar a todo o custo.
Dominar estas nuances eleva o seu registro de danos de “bom” para “perfeito”, maximizando a sua utilidade no processo de sinistro.
Registro em Quatro Rodas: Especificidades para Danos em Veículos
Acidentes de viação são, infelizmente, comuns. Um registro de danos detalhado no local é vital.
- Contexto da Cena: Fotografe/filme a posição final dos veículos antes de os mover (se seguro!). Inclua pontos de referência (rua, sinais, edifícios).
- Danos em Ambos (ou Mais) Veículos: Registre os danos em todos os veículos envolvidos, não apenas no seu. Isto ajuda a estabelecer a dinâmica da colisão.
- Placas de Matrícula: Tire fotos claras das placas de matrícula de todos os veículos.
- Documentos: Fotografe a carta de condução e o documento do seguro do outro condutor (se ele fornecer).
- Detalhes do Impacto: Close-ups dos pontos de colisão, peças quebradas, arranhões profundos. Use referência de escala se necessário.
- Visão 360º: Fotografe/filme todos os lados do seu veículo, mesmo os não danificados, para mostrar o estado geral.
Este registro de danos automóvel completo será fundamental para a seguradora analisar a responsabilidade e os danos cobertos.
Dentro de Casa: Particularidades para Danos Residenciais (Água, Fogo, etc.)
Danos em casa podem ser variados (infiltrações, incêndios, danos elétricos, roubo). O registro de danos deve adaptar-se.
- Fonte do Problema (se visível): Se possível, registre a origem do dano (cano a pingar, curto-circuito visível – com segurança!).
- Extensão da Área Afetada: Use fotos panorâmicas e vídeos para mostrar todos os cómodos ou áreas atingidas.
- Bens Danificados: Fotografe/filme cada item danificado individualmente (móveis, eletrodomésticos, eletrónicos, objetos pessoais). Close-ups são importantes.
- Marcas de Nível (Água): Em inundações, registre a altura que a água atingiu nas paredes ou móveis (use uma fita métrica como referência).
- Danos Estruturais: Fotografe/filme rachaduras em paredes, teto caído, danos em portas e janelas.
- Pré-Sinistro (se tiver): Se tiver fotos antigas da casa/objetos antes do dano, elas são extremamente valiosas para o registro de danos.
Detalhar os danos residenciais exige paciência, mas este registro de danos minucioso é essencial para garantir que todos os prejuízos sejam considerados na indemnização.
Erro #1: Ignorar a Visão Panorâmica e o Contexto
Um dos erros mais frequentes é focar apenas nos close-ups dos danos e esquecer de fornecer o contexto. Fotos de um arranhão isolado ou de uma mancha de água sem mostrar onde eles estão localizados dificultam a análise.
Lembre-se sempre de começar o seu registro de danos com fotos e vídeos que mostrem a visão geral da situação. Onde está o carro? Em que cómodo da casa está o dano? Qual a posição dos objetos?
O contexto ajuda a seguradora e o perito a entenderem a localização, a dimensão relativa do dano e, por vezes, até a possível causa do sinistro. Sem contexto, o seu registro de danos perde muito do seu valor informativo.
Portanto, regra de ouro: comece pelo geral e depois avance para os detalhes. Contextualizar é fundamental.
Erro #2: Fotos Escuras, Tremidas ou Sem Foco
A qualidade técnica das imagens é crucial. Fotos ou vídeos onde não se consegue ver claramente o dano por estarem escuros, tremidos ou desfocados são praticamente inúteis para um registro de danos eficaz.
Como já mencionado, preste atenção à iluminação. Use luz natural sempre que possível ou iluminação auxiliar adequada. Evite o flash direto que cria reflexos.
Segure o telemóvel com firmeza, use as duas mãos e toque no ecrã para focar na área de interesse antes de disparar a foto ou iniciar a gravação. Verifique a qualidade imediatamente após capturar.
Não tenha pressa. É melhor ter menos imagens, mas de boa qualidade técnica, do que muitas imagens inúteis. A clareza visual é a base de um registro de danos convincente.
Erro #3: Não Registrar o Contexto (Pré-Dano, se possível)
Já falámos do contexto pós-dano (onde está o estrago). Mas, se possível, incluir informações sobre o estado antes do dano fortalece imensamente o seu registro de danos.
Se tiver fotos ou vídeos antigos do seu carro ou da sua casa que mostrem o estado de conservação antes do sinistro, inclua-os! Eles provam que o dano reclamado não existia previamente.
Mesmo que não tenha fotos antigas, pode, por exemplo, fotografar áreas não danificadas do mesmo objeto para mostrar o contraste e o estado geral de manutenção.
Incluir esta perspetiva “antes e depois” (ou “danificado vs. não danificado”) no seu registro de danos ajuda a comprovar a extensão real do prejuízo causado pelo sinistro.
Erro #4: Apagar Arquivos Originais ou Editar Imagens
Depois de fazer o seu registro de danos, guarde os arquivos originais (fotos e vídeos) em segurança. Faça backup na nuvem, num disco externo ou envie para o seu próprio email.
Nunca edite as fotos ou vídeos originais! Não aplique filtros, não recorte, não ajuste brilho ou contraste. As seguradoras e peritos podem considerar imagens editadas como adulteradas, o que pode invalidar o seu registro de danos como prova.
Se precisar de destacar algo numa foto, faça-o numa cópia da imagem, usando setas ou círculos simples, mas sempre preserve o arquivo original intacto. A integridade dos arquivos é crucial para a credibilidade do seu registro de danos.
Conclusão
Realizar um registro de danos perfeito pode parecer uma tarefa complexa no calor do momento, mas, como vimos, trata-se mais de atenção aos detalhes e método do que de equipamento sofisticado. O seu telemóvel, usado com estratégia, transforma-se numa ferramenta poderosa para documentar a verdade dos factos, protegendo os seus direitos e agilizando o processo junto da seguradora. Lembre-se da importância do contexto, da clareza técnica das imagens e da combinação inteligente de fotos e vídeos. Com seu registro completo e seguro, o próximo passo fundamental é comunicar o sinistro à sua seguradora seguindo os procedimentos indicados na sua apólice.
Ao dedicar esses minutos preciosos para criar um registro de danos completo e irrefutável, você não está apenas a cumprir uma formalidade. Está a assumir o controlo da situação, a munir-se de provas concretas e a garantir uma base sólida para que o seu sinistro seja resolvido de forma justa e eficiente. Um bom registro não evita o imprevisto, mas dá-lhe o poder de navegar pelas suas consequências com muito mais segurança e tranquilidade.
FAQ (Perguntas Frequentes)
- Posso usar só o telemóvel para fazer um bom registro de danos?
- Sim, na grande maioria dos casos, a câmara do seu smartphone é suficiente, desde que siga as dicas de iluminação, foco, ângulos e estabilidade. A qualidade das câmaras atuais é geralmente adequada para um registro de danos eficaz.
- Preciso registrar os danos imediatamente ou posso esperar?
- O ideal é registrar os danos o mais rápido possível após o evento, enquanto a cena está “fresca” e inalterada. Isto garante a maior fidelidade à situação real. Não adie desnecessariamente o seu registro de danos.
- Devo limpar a área antes de fotografar/filmar os danos?
- Regra geral, não. Registre a cena como está. Apenas if sujidade não relacionada estiver a impedir completamente a visualização do dano, pode fazer uma limpeza mínima e localizada, mas com muito cuidado para não alterar a evidência do sinistro em si.
- É importante registrar a data e hora nas fotos/vídeos? Como fazer isso?
- Sim, é muito importante. A maioria dos smartphones já grava automaticamente a data e hora nos metadados do arquivo (informações EXIF). Verifique as configurações da sua câmara. Adicionalmente, pode mencionar a data/hora no início da narração de um vídeo.
- O que fazer com as fotos e vídeos depois de registrar os danos?
- Guarde os arquivos originais em segurança. Faça backup em mais do que um local (nuvem, disco externo, computador). Organize-os numa pasta específica para fácil acesso quando a seguradora solicitar.
- Posso enviar os arquivos por WhatsApp para a seguradora?
- Verifique os canais preferenciais da sua seguradora. Muitas têm portais online ou emails específicos para envio de documentação. O WhatsApp pode comprimir os arquivos, reduzindo a qualidade. Prefira métodos que preservem a qualidade original do seu registro de danos.
- Esse registro substitui o boletim de ocorrência (B.O.)?
- Não. O registro de danos fotográfico/vídeo é uma documentação visual complementar. O Boletim de Ocorrência é um documento oficial que regista a ocorrência perante as autoridades, sendo muitas vezes exigido pela seguradora, especialmente em casos de roubo, furto ou acidentes com vítimas ou que envolvam terceiros.